Ontem à tarde, o site do Santos, 24 horas após o apito final, mostrava: "Santos 0x8 Barcelona, jogo em andamento". Erro, óbvio, mas com ponta de verdade. No clube, a tragédia do Camp Nou ainda não acabou.
Os muros da Vila Belmiro amanheceram pichados pedindo a saída do presidente Luis Alvaro e do Comitê de Gestão. Nos pontos tradicionais de encontro de torcedores na Baixada, o clima era de pura revolta. Até mesmo defensores da administração perderam a paciência com o resultado.
"Ninguém esperava que fosse acontecer uma coisa dessas. Foi o resultado de uma série de decisões desastradas. Na próxima reunião do Conselho Deliberativo, a coisa vai pegar fogo", previu, ao DIÁRIO, um aliado de primeira hora do presidente Luis Alvaro, que está afastado das decisões do clube por problemas de saúde.
Extraordinário / Talvez nem precise demorar tanto assim. Conselheiros se movimentam para conseguir 51 assinaturas para convocar uma reunião extraordinária. O tema é explosivo. Colocar em pauta votação do impeachment dos nove integrantes do Comitê de Gestão. Entre eles, estão o presidente e o vice, Odílio Rodrigues Filho. Caso isso aconteça, serão necessários 151 votos favoráveis. Metade mais um dos que fazem parte atualmente do órgão deliberativo.
"É uma possibilidade. Nós apenas precisamos tomar muito cuidado com o texto desse pedido de reunião. Temos sempre de estar embasados no estatuto social do Santos", recomenda o conselheiro Orlando Rollo, integrante de grupo político denominado Terceira Via Santista.
A goleada em Barcelona foi a gota d'água para o descontentamento com os rumos da administração. A aceitação do amistoso no Camp Nou, vendido como uma forma de expor a marca do Peixe no exterior, foi catastrófica. O time virou motivo de chacota internacional, principalmente nas mídias sociais, com convites para amistosos. Não falta quem ache ter sido o maior vexame da história do clube. Após a partida, grupo de 20 torcedores foi ao hotel onde a delegação estava hospedada, em Barcelona, para tirar satisfação com atletas e dirigentes.
A insatisfação com o Comitê de Gestão não é de hoje. Criado com a bandeira da transferência, o órgão virou alvo de saraivada de críticas, com reclamações de que é lento para tomar decisões e local de cabo de guerra de interesses políticos de seus diferentes integrantes.
Em nota, Comitê assume 'responsabilidade'
Diante da repercussão e das críticas sofridas, os integrantes do Comitê de Gestão divulgaram nota oficial ontem, no final da tarde. No texto, assumem "total responsabilidade" pela goleada sofrida no Camp Nou e pelo dano que o resultado causou à imagem do Santos no exterior.
"Aprenderemos com a lição e voltaremos ainda mais fortes, como mostra nossa história e em respeito ao sentimento de tristeza que todos nós sentimos, hoje. Esse sentimento não será em vão", promete a nota, publicada no site oficial do Peixe.
O Santos tem o direito de realizar outro amistoso com o Barcelona, desta vez no Brasil. Neste caso, o clube ficaria com a renda da partida e com a venda dos direitos de televisão, ao contrário do que aconteceu no Camp Nou.
Mas depois da goleada na sexta-feira, há a possibilidade deste confronto não acontecer.
"Precisamos fazer uma análise cuidadosa, porque é partida que não temos a obrigação de realizar, segundo o contrato", explicou o vice-presidente, Odílio Rodrigues Filho.
Parte da negociação da venda de Neymar, o amistoso no Brasil, se não ocorrer, faz com que o Santos tenha direito de receber 4,5 milhões de euros do Barça (R$ 13,7 milhões, pela cotação de ontem). "Temos a garantia de que podemos optar apenas pelo dinheiro", completa Odílio.
Por: Alex Sabino
alex.sabino@diariosp.com.br
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