Ainda restam cinco meses para as eleições presidenciais do Santos, que serão realizadas no dia 6 de dezembro, mas o clima já está quente nos bastidores da Vila Belmiro. Na última terça-feira, após a denúncia realizada pelos dirigentes santistas contra a oposição, sete embaixadas provisórias do clube enviaram um documento à mesa do Conselho Deliberativo reivindicando a possibilidade de os sócios votarem pelo correio na Assembleia Geral.
No documento, as embaixadas provisórias de Rio de Janeiro, Curitiba, Salvador, Cuiabá, Goiânia, São José do Rio Preto e São José dos Campos citam artigos do Estatuto Social do Peixe para lamentar o fato de apenas a implementação de eleições pela internet tenha sido votada na última reunião do Conselho.
Segundo o artigo 30 do Estatuto, "por decisão do Conselho Deliberativo, a eleição poderá também ser realizada por meio de canais diferenciados (correio ou internet), desde que sejam garantidas a segurança e a confidencialidade das votações". A Comissão Eleitoral, porém, prezando pelo bom funcionamento da Assembleia, disse em um parecer apresentado ao Conselho que apenas o voto pela internet, "com mecanismo de senhas e contrassenhas para cadastramento e autenticação digital", seria discutido.
Mesmo após o parecer, no documento as embaixadas dizem que "o voto pelo correio é explicitamente mencionado no Estatuto Social como um canal diferenciado para eleição e, muito importante, não foi objeto de parecer examinado na reunião deste Conselho de 24 de julho".
Os santistas entendem e aceitam o fato de a implementação do voto pela internet ter sido declinada pelos conselheiros, mas gostariam que a possibilidade das eleições pelo correio fosse votada, também. Por fim, eles pedem para o Alvinegro realizar uma reunião extraordinária para o assunto ser discutido.
Na última terça-feira, o presidente Odílio Rodrigues denunciou uma possível fraude e, em uma apresentação, disse que membros da Terceira Via Santista, uma das chapas opositoras, seriam os responsáveis pela criação dos "sócios fantasmas" com nomes pitorescos, como Pinochet, Al Capone e Don Corleone.
Entenda o caso
A Terceira Via Santista, um dos grupos de oposição do Santos, protocolou na Polícia Civil, semana passada, um pedido de instauração de inquérito para investigar uma denúncia de que seis mil carteiras frias de supostos associados "fantasmas" teriam sido emitidas para fraudar a eleição presidencial do clube, marcada para dezembro.
Muitos dos supostos sócios fantasmas têm nomes fictícios como o do ex-ditador Augusto Pinochet e do mafioso Al Capone, além de personagens como Vito Andolini, o Don Corleone do filme "O Poderoso Chefão". Até o ex-jogador paraguaio Edgar Baez, famoso no clube por sua deficiência técnica, no fim dos anos 90, foi incluído entre os "eleitores".
No mesmo dia, Paulo Schiff, presidente do Conselho Deliberativo do Santos, informou que, desde abril, o Santos realiza o recadastramento dos associados. Segundo ele, na reunião do último dia 10 de junho foi apresentado que seis mil associados, dentre os cerca de 60 mil do clube, estavam com alguma situação irregular.
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